Domesticá-los ou seduzi-los?
Domesticá-los ou seduzi-los?

 A leitura recreativa é um instrumento poderoso para desenvolver as competências pessoais e sociais, se cada um a usar como mapa para chegar ao seu tesouro interior. Para a incentivar, é muito útil privilegiar a sua vertente lúdica e criar um ambiente de liberdade, leveza e responsabilidade. As pessoas naturalmente reconhecem, na literatura, elementos da sua essência que estavam soterrados no rame-rame do dia-a-dia. É essa a magia da literatura, dos romances, dos livros de aventuras, da poesia: entrar no universo dos outros que afinal nos leva a viajar por lugares escondidos do nosso universo. 

O Concurso Nacional de Leitura foi criado para dar um empurrão nos níveis de literacia mas nos anos iniciais estava muito preso ao modelo escolar: avaliação formal, competição, demonstração de conhecimento, certo e errado. Felizmente, os objectivos foram redesenhados: a prioridade não é aumentar o conhecimento, é aumentar o gosto de ler. E esta é a mais eficaz forma de conseguir auto-motivação: quem corre por gosto não cansa.   

 

Os miúdos têm uma energia imbatível. Obrigá-los a algo é lutar com grande esforço e poucos resultados. Por isso é tão importante orientá-los no sentido de descobrirem por si o gozo e as vantagens que a leitura oferece. Mas sem adultos que inspirem pelo exemplo torna-se muito difícil. Eles não sabem explicar mas sentem quando a energia da liderança não é uma onda surfável e sim uma parede para transpor, se necessário à cabeçada.

 

Apesar dos progressos, temos muito caminho pela frente. Ao flexibilizar as regras e o regulamento, os organizadores têm encontrado resistências por parte de muitos professores, e pais, que estão ainda agarrados à competição como prova de superioridade e não vêem o concurso como um pretexto para criar uma cultura de partilha de experiências através da literatura. Uma festa. Nessa altura poderemos chamar-lhe festival.

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