A menina elegantina e o Gnomo Assustado

A menina elegantina e o Gnomo Assustado

(3 avaliações de clientes)

10.00

A menina elegantina e o Gnomo Assustado, de Paulo Condessa

Uma história sobre a facilidade e a dificuldade da comunicação entre mundos diferentes, carregadinha de jovialidade e irreverência, com uma lógica surpreendentemente infantil.

 

Idade Recomendada:

Cada caso é um caso mas em termos estatísticos talvez se recomende, como leitura autónoma, para idades dos 8-12 anos e, como leitura assistida, a partir dos 5.

 

Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura

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Descrição

A menina elegantina e o Gnomo Assustado

Dimensões:  A4 (29cmx21cm)

Capa: capa mole

Páginas: 34 páginas

Autor: Paulo Condessa

Ilustrações: Ema Gaspar

Edição: Junho 2013

ISBN 978-989-20387-6-6

Edições Pestana de Fogo

Composição: O Bichinho de Conto

 

3 avaliações de A menina elegantina e o Gnomo Assustado

  1. blog As leituras da Fernanda

    É um livro perfeito para se ler em voz alta. É uma história fantástica cheia de onomatopeias e mimologia, que esconde por trás das palavras um mundo muito mais complexo do que se possa pensar. É um livro para se ler com o coração, para se sentir, e para perder medos e complexos. Um livro perfeito para ler às crianças, vezes sem conta, e aprender sempre um pouco mais em cada leitura.

    blog As leituras da Fernanda

  2. Risoleta Pinto Pedro

    A história começa como começou o mundo: com uma espécie de bigbang. Neste caso, em forma de atchim.
    Fica a saber-se muita coisa, neste livro (…) nunca mais vou esquecer por que razão o meu cachecol é tão quentinho: foi porque se desprendeu do sol na sequência de um espirro. Um cachecol de sol em forma de caracol.

    Também gostei daquela parte em que o gnomo e a menina Elegantina se conhecem, porque não é nada do que se vê por aí, eles dançaram, cantaram, calaram-se e nada disto os desencorajou de se conhecerem.

    Gostei muito de ver neste livro que os amigos depois de serem amigos podem ficar calados durante muito tempo e que não há crise. Que podemos sempre aprender a contar e a respirar e que podemos estar calados sem ficar zangados, porque se o outro ficar é lá com ele, o estrago não é tanto. Um zangado dói menos ao mundo do que dois.

    Às tantas já não se percebe nada das palavras do livro, mas depois percebi que era a única maneira de a menina falar com o gnomo, e não é que é divertido fazer o pino com as letras?

    Desconversar é mesmo giro e até acho que era a solução para este mundo desconcertado, já que a conversar esta gente não se anda a entender. Era preciso inventar palavras sem sentido e cada um repetir as palavras dos outros. Assim, já todos se entendiam. Eu até desconfio que este livro pode ir parar à secção da política internacional, diplomacia, qualquer coisa assim. Ou sobre sonhos. Talvez nas enciclopédias. Tudo menos na secção da literatura infantil onde pode passar despercebido e não deve. Porque a verdade é que se passa lá tanta coisa importante, o gnomo fica curado da dislexia e tudo, e fazem nascer jardins dentro do peito e flores dentro da boca, coisas que as crianças já sabem e por isso não precisam de aprender, mas os adultos sim.

    Por exemplo, tratar o coração, sobretudo os que já sofrem de arteriosclerose ou outra doença dessas, deveriam saber como está o coração em cada dia, em cada momento e como se chama, porque o coração gosta de ser chamado, e para ser chamado tem de ter um nome. Por exemplo, o meu, já o batizei há muito tempo e sempre que chamo baixinho Megacor…, ele responde, mas o do gnomo chama-se Ómong, que também não está mal. E isto pode descobrir-se com uma meditação, que o livro também ensina, não sei como se chama nas livrarias a secção das meditações, mas não era mal pensado.

    Resultado: no fim de tudo, a menina Elegantina mandou a dislexia às urtigas e percebeu a linguagem do gnomo, e apesar de ter ido um para cada lado não ficaram tristes, o que também é muito original.

    Risoleta Pinto Pedro, escritora

  3. Rita Taborda Duarte

    (…) O livro é muito divertido e, em simultâneo, muito reflexivo; dois tópicos somente conciliáveis mediante uma mestria da língua e uma capacidade de apropriação da linguagem, efectivada de diferentes formas: Por um lado, por meio de uma inesperada interpretação lúdica das sonoridades da língua, que se detém na exploração de rimas internas, repetições, formação de novas palavras, para melhor se alcançar a impressão/emoção que se pretende sugerir; por outro lado, através da faculdade de revolver os variados primas conceptuais de que própria linguagem dispõe, modificando-a e torcendo-a, à medida que o discurso se desenvolve.
    Neste livro, sobressai a sensação de que as palavras comuns, a nossa própria língua, se revelam, afinal, parcas e pobres, para servir todas as ideias e pensamentos das personagens que habitam a história: a Menina Elegantina, espécie de «Alice do outro lado do espelho», que é como quem diz do outro lado do mundo, e o Gnomo assustado, que com ela se confronta, e que não deixa de sugerir, ao leitor, um «Humpty Dumpty» renovado, mas também enleado nos meandros complexos que derivam do uso das línguas.
    A história inicia-se quando o sol, começando a dizer que «sim ao dia», espirra e, assim, se liberta um bocadinho enrolado do astro-rei. Esse espirro «foi tão forte, tão forte, que por azar ou por sorte um bocadinho pequenino do sol desprendeu-se do resto. Era cómico, o bocadinho, parecia um caracol todo enrolado ou um micro cachecol, tão pequenino, que não era pequenino, era pequeni». Ora, é desse pedacinho de raio de sol que vai sair o gnomo assustado, cujo aparecimento na terra não pode de nos deixar de sugerir a reminiscência transfigurada daquele outro principezinho que viajou à boleia de uma estrela para a terra, procurando a todo o custo compreendê-la.
    Neste ponto, surge, então, o confronto, sobretudo verbal, entre o Gnomo, acabado de pousar na terra e a Menina Elegantina. O diálogo que se segue é, consequentemente, hilariante e o livro só terá a ganhar com uma leitura em voz alta, em que todos os sons e repetições, sufixos, prefixos, e brincadeiras entre as palavras da menina e os seus parónimos, sejam efectivamente explorados.
    Depois de vários tópicos que vão correndo subliminarmente pelas entrelinhas do livro, como a própria linguagem e seu(s) sentido(s), a amizade, os sonhos, a existência de tantos mundos no mundo, no final da história, surge aquele que parece ser verdadeiramente o seu tema central: aí, bem se compreende que esta exploração da linguagem, que se divide em várias línguas, em sonoridades múltiplas, não tem somente um carácter lúdico. Pelo contrário, este livro tão vertiginosamente divertido fala-nos sobretudo de sentimentos. E de modo muito delicado vai ensinando que, apesar das várias línguas, dos vários sentidos das várias línguas, todos falamos afinal a mesma linguagem: A linguagem dos sentimentos. A conclusão da história é, consequentemente, muito simples, e deixa uma mensagem bem nítida : a certeza de que «dentro do coração falamos todos a mesma língua.».
    As imagens, da responsabilidade de Ema Gaspar, evitam, e bem, quase sempre, o discurso figurativo, acompanhando, assim, a tónica reflexiva induzida pelo texto, salientando sobretudo o seu carácter irreverente e humorístico e tornando evidente que o humor, por vezes, se torna um elemento crucial, para se falar de sentimentos mais densos e profundos

    Rita Taborda Duarte, escritora.

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